Sr.ª da Esperança

 

A mais antiga imagem de Nossa Senhora da Esperança de que há memória encontra-se na Igreja Paroquial de S. Tiago em Belmonte, distrito de Castelo Branco e remonta ao séc. XIII, relacionando-se com a família dos Cabrais oriunda da Grécia, mas que se instalou em Belmonte antes de 1226. Desta família é descendente Pedro Àlvares Cabral, principal personagem da descoberta do Brasil.

A imagem é toda de pedra. Pesa cerca de 70 Kg e tem de altura 1,30m; traz, no braço direito, o Menino Jesus e, no braço esquerdo, uma pomba. Parece ser da escola de escultura de João Ruão e teria sido encomendada pela família dos Cabrais.

Segundo a tradição, na nau capitânia da armada de Pedro Álvares Cabral ia entronizada a essa imagem de Nossa Senhora da Esperança, para veneração dos tripulantes, que levavam bem acesa a esperança de encontrar a terra que os fizera correr tal aventura.

Segundo pesquisadores recentes a imagem terá estado no Brasil apenas cerca de 12 dias. Ainda hoje há uma devoção muito intensa à Senhora que esta imagem representa. Todos os anos a Vila de Belmonte celebra com grande regozijo a festa de Nossa Senhora da Esperança no terceiro domingo de Setembro.

Porém, não só em Belmonte se celebra Nossa Senhora da Esperança.
Em 1985 foi residir para Azinhaga uma comunidade de religiosas com o objectivo de dar início a uma nova família religiosa.
Esta viria a ser aprovada em 1988 por D. António Francisco Marques, primeiro Bispo de Santarém. No seu nome oficial consta o título de Nossa Senhora da Esperança.

Ignorando, na altura, completamente o que foi referido quanto à imagem que se venera em Belmonte, estas religiosas que começavam uma forma nova de evangelizar: «pela oração, estilo de vida, trabalho e anúncio», queriam-na repassada de esperança e por isso se acolheram à protecção de Maria sob aquele título. Elas próprias queriam ancorar-se na esperança para não fracassarem perante as dificuldades encontradas para levar a cabo a missão de comunicar Jesus aos homens, o qual é Esperança das Nações.

Durante o primeiro ano da sua residência em Azinhaga mandaram esculpir a imagem de Nossa Senhora da Esperança, tal como a concebiam: a Senhora com o Menino Jesus nos braços em jeito de quem O oferece, de quem O dá ao mundo.
Relacionado com este simbolismo está o dia em que a Fraternidade celebra a sua principal festa litúrgica: Anunciação do Senhor. Ao SIM incondicional de Maria, o Espírito Santo cobriu-A da Sua sombra e Ela recebeu Jesus em seu seio para O oferecer ao mundo.

A imagem é de madeira, tem 64 cm de altura e pesa cerca de 4 kg. Foi esculpida por um escultor da família dos Thedim, ligada às imagens de Nossa Senhora de Fátima, nomeadamente à imagem peregrina.